
A ÚLTIMA BANDEIRA
Será essa a geração final do evangelicalismo? Sem dúvidas estamos enfrentando um conjunto de desafios à identidade evangélica sem precedentes. O advento da cultura pós-moderna produziu um contexto intelectual em que o verdadeiro conceito da verdade está sob suspeita, e reivindicações à verdade revelada são simplesmente excluídas da norma.
É dito que Benjamin Franklin, alcançado na rua durante uma pausa na Convenção da Constituição, foi solicitado por um transeunte a descrever a nova ordem proposta. “Uma república,” ele respondeu, “se vocês conseguirem mantê-la.” Por definição, evangélicos devem ser um povo do Evangelho, que cuida, ensina e partilha o Evangelho de Jesus Cristo. Nós só permaneceremos evangélicos na medida em que mantivermos a integridade do nosso testemunho do Evangelho — se conseguirmos mantê-lo. Somos verdadeiramente evangélicos apenas se mantemos nosso testemunho do Evangelho sem nos envergonharmos ou comprometê-lo.
Deveríamos estar muito preocupados sobre certas tendências no evangelicalismo contemporâneo que ameaça essa integridade. A primeira é uma ameaçadora confusão sobre o próprio Evangelho. O coração do Evangelho é a verdade objetiva de que Cristo morreu por pecadores e que essa salvação é pela graça somente, por meio da fé em Cristo – somente. A doutrina primordial da justificação pela fé é, como Martinho Lutero alertou, “o artigo pela qual a igreja permanece ou cai.”
Se é assim a igreja está caindo em muitos quarteirões. Muito do que está sendo apresentado em muitos púlpitos — e comercializado na televisão por pregadores carnais — carregam pouca semelhança com essa simples mensagem. Ao invés disso, pecadores são chamados a buscar riquezas, bênçãos materiais, saúde vigorosa e recompensas terrenas. A salvação é empacotada, como um produto a ser anunciado pela televisão, e vendida com desconto. A noção de salvação do pecado e julgamento é completamente perdida nesse cenário. Ao invés disso, a salvação é apresentada como um presente de autoaprimoramento.
Na esquerda teológica, o Evangelho se transformou há muito tempo em uma mensagem social e política de libertação da opressão. Agora, entre alguns que se consideram evangélicos, o Evangelho de Cristo foi reduzido a uma forma de autoexpressão ou terapia. A salvação é prometida como uma resposta para a baixa autoestima e para o vazio interior. Foi-se embora qualquer noção de um Deus Santo que oferece salvação do pecado e de sua pena eterna.
A outra importante linha de frente na presente batalha pelos interesses do Evangelho refere-se à exclusividade da obra de Cristo. O testemunho da Bíblia não poderia ser mais claro. A salvação vem a todos que invocam o nome do Senhor. A salvação vem através de Jesus Cristo — e por Jesus Cristo somente.
Em nossa cultura de precisão política e tolerância intolerante, nos é dito que tal reivindicação é simplesmente inaceitável. ‘Não pode haver apenas um caminho para a salvação’. Quem vai dizer que as religiões no mundo estão erradas e que somente o Cristianismo é verdade?
Bom, esse é um critério não negociável da fé evangélica. Jesus identificou a Si mesmo como o caminho, a verdade e a vida — e “ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6). Sem esse claro testemunho, o Evangelho fica vazio de sua integridade. A Bíblia não permite confusão. Sem fé consciente em Jesus Cristo não há salvação.
Dean Kelley, um protestante liberal, certa vez mencionou que, “Até mesmo o mais gentil, humilde e amoroso Cristão precisa dividir o mundo entre aqueles que confessam Jesus como Senhor e aqueles que não.” Dada a clareza do Evangelho, nós não temos outra escolha.
Mesmo assim, nesta crucial frente de batalha pelo Evangelho, surgem várias formas de ajuste, concessões. Alguns advogam um universalismo aberto, na qual todas as pessoas são eventualmente salvas. Outros promovem pluralismo, prometendo que todas as estradas eventualmente as levarão a Deus, e, assim, nenhuma fé tem a privilegiada reivindicação da verdade. Mais próximos de casa, alguns tem advogado uma forma de inclusivismo no qual outras religiões e crenças são vistas como incluídas na obra de Cristo. Ainda, outros defendem uma forma de “Cristianismo desconhecido” ou uma oportunidade pós-morte de confessar a Jesus.
“Os evangélicos precisam recobrar coragem teológica e convicção, ou enfrentaremos a trágica realidade de que essa possa ser a última geração de evangélicos.”
Contra essas várias tentativas de escapar da simples clareza do Evangelho, permanece a Palavra de Deus. Nossa integridade evangélica permanece ou cai com esta verdade — a salvação é encontrada pela fé em Cristo Jesus somente. Essa é a lógica do mandato missionário e a convicção que sustenta o evangelismo. Entretanto, a visão de mundo, sustentada por muitos indivíduos hoje — especialmente aqueles entre as classes educadas —, terminantemente rejeita tais reivindicações como imperialistas e arrogantes.
O sociólogo James Davison Hunter há muito tem avisado que jovens evangélicos tendem a suavizar essa doutrina. Educados numa cultura de relativismo pós-moderno e pluralismo ideológico, essa geração foi ensinada a evitar fazer qualquer reivindicação de verdade exclusiva. ‘Fale da sua verdade, se precisar — mas nunca reivindique saber a Verdade’. A menos que esse rumo seja revertido, não haverá evangélicos nas próximas gerações.
Charles Spurgeon expôs dolorosamente: “Nós chegamos a um momento crítico nessa estrada. Se virarmos a direita, por ventura nossos filhos e os filhos de nossos filhos irão por esse caminho; mas se virarmos a esquerda, gerações que ainda nem nasceram amaldiçoarão nossos nomes por termos sido infiéis a Deus e a Sua Palavra.” Essas palavras soam com urgência profética mais de um século depois que foram escritas. Os evangélicos precisam recobrar coragem teológica e convicção, ou enfrentaremos a trágica realidade de que essa possa ser a última geração de evangélicos.
Fonte: Albert Mohler
Tradução: Eric Lima
EXTRAÍDO http://amecristo.com/2011/09/09/a-ultima-geracao-de-evangelicos-%E2%80%94-albert-mohler/

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